"Por
tanto amor, por tanta emoção
A vida me fez assim
Doce ou atroz, manso ou feroz
Eu, caçador de mim
Preso a canções
Entregue a paixões
Que nunca tiveram fim
Vou me encontrar longe do meu lugar
Eu, caçador de mim
Nada a temer
Senão o correr da luta
Nada a fazer
Senão esquecer o medo
Abrir o peito à força
Numa procura
Fugir às armadilhas da mata escura
Longe se vai sonhando demais
Mas onde se chega assim
Vou descobrir o que me faz sentir
Eu, caçador de mim"
A vida me fez assim
Doce ou atroz, manso ou feroz
Eu, caçador de mim
Preso a canções
Entregue a paixões
Que nunca tiveram fim
Vou me encontrar longe do meu lugar
Eu, caçador de mim
Nada a temer
Senão o correr da luta
Nada a fazer
Senão esquecer o medo
Abrir o peito à força
Numa procura
Fugir às armadilhas da mata escura
Longe se vai sonhando demais
Mas onde se chega assim
Vou descobrir o que me faz sentir
Eu, caçador de mim"
Milton Nascimento
Essa canção traduz
por metáforas da melhor forma para mim, o trabalho que deve ser feito numa
psicoterapia pelo paciente. Mas não a procura pelo "outrinho" (Rosabe
Abbade), e sim a procura, entendimento pelo "Grande Outro" (Lacan).
Ou se ainda preferirem a busca pela noção de Eu (Rogers). Nós devemos sempre
nos encontrar longe do lugar que achamos que nos localizamos. E só
descobriremos o que nos faz sentir se levarmos essa procura e trabalhar como
caçador de nós mesmo até perceber que encontramos aquilo que me faz sentir,
descobrir o que me faz doce, atroz, manso ou feroz. Embora seja um trabalho que
leve meses, em outros casos, levam anos e não apenas em 3:30 minutos que leva
para a execução dessa canção. Ainda estou fugindo às armadilhas da mata escura....
Cristiano Rabelo

